Educação Teológica Baseada na Igreja

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1 – PRIMEIRAS IDEIAS

Um dos grandes desafios da igreja no século XXI é adaptar o seu modelo de treinamento ministerial, de educação teológica, de modo a tornar-se relevante e acessível às necessidades e realidades da sociedade contemporânea.

A partir deste desafio, vários ministérios têm percebido a necessidade de deslocar o foco de seus programas de treinamentos, antes baseados em instituições ou organizações como seminários e institutos bíblicos, para programas baseados na realidade da igreja local.

Entretanto, algumas perguntas surgem a partir dessa reflexão:

O que é que realmente torna um programa de treinamento baseado na igreja, em vez de baseado numa instituição?

Em última instância, os Seminários e Institutos Bíblicos também não são formados por líderes capacitados por Deus e dados à igreja?

A resposta a essas questões está na necessidade de uma mudança de paradigma.

Segundo Thomas Kuhn, paradigma é todo “um grupo de convicções, valores, técnicas, etc., comum entre os membros de uma determinada comunidade”

2 – A TESE CENTRAL
Durante as últimas quatro décadas, quase todas as tentativas de instituições educacionais ocidentais de melhorar seu treinamento têm sido uma adaptação da educação teológica formal.
As tentativas das igrejas em assumir maior responsabilidade no treinamento de seus próprios líderes tem sido obscurecidas pela educação teológica formal.
3 – A QUESTÃO FUNDAMENTAL

O problema não é a existência das estruturas formais de educação, mas o fato de que elas DIRIGEM o treinamento de liderança para a igreja.

Os valores bíblicos — fidelidade no serviço, envolvimento ministerial, discipulado, disciplinas espirituais, e desenvolvimento do caráter — são negligenciados quando tirados do contexto do ministério e da vida em comunidade.

O que deve DIRIGIR a preparação de líderes é A NECESSIDADE DA IGREJA, não o modelo de instrução formal ocidental.

4 – OS TRÊS ESTILOS DE TREINAMENTO MINISTERIAL

Existem três estilos principais utilizados para o treinamento ministerial ao longo da história da igreja:

• O Formal – dirigido por Instituições
• O Informal – dirigido por Organizações
• O Não-formal – dirigido por Igrejas Cada um desses estilos é orientado por uma força motriz principal:
• Modelo Formal (Seminários, Institutos Bíblicos, especialmente aqueles que funcionam em regime de internato ou focalizam somente o conhecimento acadêmico) – Estes seguem regras institucionais;
• Modelo Informal (Por exemplo, cruzada estudantil e profissional) – Estes são governados pela organização;
• Modelo Não-Formal (as experiências de educação baseada na igreja, no discipulado: Jesus e os 12; Paulo e Timóteo) – Estes focalizam a necessidade da igreja;

Todos estes modelos são diferentes entre si, todos são úteis em determinados momentos e circunstâncias, mas o modelo de educação teológica dirigida pela igreja precisa se tornar o modelo dominante.

5 – ENFRENTANDO A REALIDADE

A educação teológica formal, principalmente aquela dirigida por seminários e faculdades teológicas que priorizam a formação intelectual ou que retiram o aluno do seu contexto comunitário e ministerial, tem agonizado nos últimos 40 anos por causa de grandes mudanças, como por exemplo, a expansão da igreja nos países em desenvolvimento e o avanço na informática. O grande problema é que essa estrutura de formação ministerial continua seguindo regras institucionais que não respondem adequadamente às realidades do mundo contemporâneo.

6 – O QUE DEIXAMOS PELO CAMINHO?

O ponto importante ao qual chegamos nessa reflexão é o seguinte: quais os exemplos do Novo Testamento que estão realmente sendo deixados de lado nas instituições e organizações ocidentais modernas?
A resposta é simples: “O modelo de Cristo e dos Apóstolos”

O padrão de Paulo e Timóteo

1- Sabedoria prática – hábitos de mente e coração disciplinaram o estilo de vida de Timóteo.
2- Contexto da Comunidade – Timóteo estava preocupado com as igrejas, não com seu preparo acadêmico.
3- Contexto Ministerial – Timóteo estava envolvido no ministério.
4- Foco Missionário – Timóteo ajudou na obra de plantar e estabelecer igrejas.
5- Progresso evidente e abençoado: quase 40 igrejas foram fundadas.
6- Comunidade envolvida na escolha de Timóteo – Timóteo foi recomendado a Paulo pela igreja.
7- No processo de treinamento, assumiu responsabilidades e aprendeu a liderar.
Quando nos afastamos desse modelo, os resultados são desastrosos:
a) Falta de liderança.
b) Preparação irrelevante – ministros sem capacidade real de pastorear e se envolver com as ovelhas. O preparo é apenas acadêmico, em categorias irrelevantes.
c) Nominalismo – A maioria das igrejas que seguiram o paradigma da educação formal no mundo ocidental para treinar seus líderes estão caminhando para o nominalismo na 4ª geração – basta analisar a situação da Europa e da América do Norte.

7 – E O QUE PODEMOS FAZER?

A proposta do SIMUB e da Igreja Missionária Unida do Brasil é buscarmos nos aproximar do paradigma da Educação Teológica Baseada na Igreja.
Nosso objetivo é que o Seminário não seja o centro da formação ministerial do líder ou obreiro cristão, mas apenas um facilitador, uma fonte de recursos para a igreja local.
Acreditamos que o modelo bíblico de treinamento ministerial é aquele onde a igreja desenvolve meios para dirigir um aprendizado sério e ordenado no contexto da própria igreja local.
Este deve ser um processo de aprendizado que continua durante a vida toda, onde uma geração de líderes efetivamente discipula e acompanha o desenvolvimento da próxima geração de líderes.
O alerta do Senhor Jesus aos discípulos continua verdadeiro hoje: “a seara é grande, e os trabalhadores são poucos…”.
A nossa oração e desejo é que a graça de Deus seja sobre todos nós, a igreja de Cristo, para que juntos possamos ser instrumentos que o Senhor utilize para gerar trabalhadores aptos a desenvolver um ministério efetivo na grande seara que está posta diante de nós.
Que o Senhor nos ajude.